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Começou

No final da tarde de quinta-feira (29) os três vereadores que fazem parte da CEI (CPI) do Transporte Público deram uma blitz no Terminal de Ônibus Urbano. Robson Ricci, Republicanos, Júlio Donizete, PSD, e Francisco Junior, DEM. Os vereadores se fecharam com as direções das empresas. Investigam superlotação no Transporte Coletivo na pandemia.

Ardido

O vereador Jorge Menezes, PSD, disse com toda sinceridade que prefere a permanência do suplente do Psol, prof. Elso Drigo, na Câmara. O professor ocupou a cadeira de João Paulo Rillo, Psol, que tirou licença de 30 dias. Menezes reverberou o que a maioria dos vereadores deseja: que João Paulo se eleja deputado estadual no ano que vem e deixe a Câmara. Menezes disse que “adora” o João, mas que ele é “muito ardido”.

Bons ventos

Elso Drigo, com sua gentileza, educação e expertise é, na verdade, um dos homens mais preparados da cidade a passar pelo legislativo nos últimos 40 anos. Para fechar sua participação, deu uma aula de raciocínio lógico à base do prefeito e ao vereador Odélio Chaves, PP. Odélio, advogado, se recusou a aprovar projeto de Renato Pupo criando o Conselho da Juventude alegando que é uma prerrogativa exclusiva do prefeito. Drigo lembrou que a Casa usa duas medidas para um mesmo tema.

 Dois pesos

Há poucas sessões, os mesmos vereadores que usaram esse argumento aprovaram projeto de Paulo Pauléra, PP, criando o Conselho Municipal da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista. O professor rebateu com lógica os argumentos jurídicos de Odélio Chaves. Odélio, que enfiou os argumentos num saco e votou a favor do Conselho proposto por Pauléra. Elso Drigo reincorporou o professor e deu uma aula provocando a chamada “vergonha alheia”.

Você não

Está em curso uma estratégia para asfixiar qualquer ação da oposição. É do jogo. Paulo Pauléra protocolou projeto que impede o presidente da Casa de participar de sorteios para ser relator, membro ou suplente nas Comissões Especiais de Inquérito, CEI (o mesmo que CPI no Congresso). Ele poderá assinar os requerimentos para que elas sejam criadas. O argumento é que o presidente da Câmara libera recursos que podem contribuir com as apurações e a atuação dele nas duas funções cria constrangimento. Vamos ver como a oposição vai jogar.

 Interfere

O presidente da Câmara autoriza contratação de advogado, perícias, delibera sobre um impasse na CEI, além de outras ações. Jean Charles Serbeto, MDB, ex-presidente, acredita que o presidente fica isento para tomar todas as decisões. Pauléra presidiu a Casa duas vezes. Nos períodos, não participou de CEIs. O atual presidente Pedro Roberto, Patriota, crê em cerceamento: “eu não concordo porque ele tira uma prerrogativa natural do parlamentar que é de fiscalização. Mudar a regra neste momento, entendo não ser conveniente”, diz Pedro Roberto.

 Branco vence

Como era esperado, a moção de repúdio contra o vereador Anderson Branco, PL, proposta pelo vereador Renato Pupo, PSDB, foi rejeitada. Votaram a favor Renato Pupo, Elso Drigo e a vereadora da base, Cláudia De Giulli, MDB. A vereadora nunca se mostrou favorável aos arroubos extremistas e ofensivos de Branco. Ano passado ela chegou a propor uma ação mais contundente contra ele, após outra publicação no Facebook. Foi convencida a retirar a proposta após promessas de que tudo mudaria.

Não faça o que eu faço

O argumento de quem rejeitou a moção contra Branco foi o mesmo: “as moções só podem ser dirigidas a pessoas, grupos, ações ou pessoas fora do município”. Jean Charles Serbeto defendeu essa postura que estaria de acordo com o Regimento. No entanto, 80% de suas moções são de aplauso para policiais militares da cidade. Não é diferente com o delegado Renato Pupo, em relação à Polícia Civil e seus policiais.

A favor, mas contra

Mesmo a favor de Branco, todos fizeram uma catarse pessoal e se disseram contra a postagem e que, muito pelo contrário, não têm nada contra homossexuais. Todos fizeram discursos em que afirmaram que órgãos íntimos e trejeitos não definem caráter. Menezes votou a favor de Branco e, ao mesmo tempo, disse ter amigos fraternos com outra orientação sexual que frequentam a sua casa. Advogados dizem que Jean Charles deu uma escorregada no juridiquês. Espero que não dê Conselho de Ética, mas tem gente brincando nos corredores ao chamá-lo de “regimentointernoman”.

Ghost writer

Ao se defender, Anderson Branco leu um documento escrito por um advogado ou alguém que entende de Direito. Abordou liberdade de expressão. Argumentou que o Conselho não pode investigar vereador por uma postagem pessoal em suas redes sociais. As postagens pessoais não podem ser censuradas ou levar a punição. O Psol protocolou ação por quebra de decoro contra Branco. Quer que ele seja punido. O Conselho informou não saber se pode abrir uma investigação por publicação em rede social. Não se posicionou. Só vai se manifestar após análise da diretoria Jurídica da Câmara. Na Câmara, tem quem aposta que o documento, bem alinhavado, foi redigido pelo vereador licenciado, secretário de Esporte e presidente do PL, Fábio Marcondes.

 O caminho

Os 17 vereadores de Rio Preto não representam a diversidade e a complexidade das relações pessoais e sociais, da sofisticação de nossa economia e da posição política de todos os rio-pretenses. Professores, militantes da causa LGBTQI+, mulheres com pauta feminista, negros que buscam a igualdade, etc. Temos uma exceção: a vereadora Cláudia De Giulli. Ela foi eleita para defender a causa animal. Fazer política dirigida, para um público específico, com uma pauta bem clara, na busca de construir uma infraestrutura para atendimento e a conscientização contra os maus tratos. E não sai do script. É brava. Sorri sob tortura. É o exemplo mais do que bem-acabado para outros grupos que só esperneiam e não vão à luta.

 Au Au Au, teremos hospital

Após anúncio do vice-governador Rodrigo Garcia, PSDB, da construção do Hospital Veterinário, a vereadora foi unanimidade na última sessão. Cláudia articulava o hospital desde a legislatura passada. Ao conseguir o anúncio de que ele será construído, mostra que é possível fazer política sem começar uma guerra civil e com humildade. A vereadora nunca foi estrela. Pior: sofre com as divisões entre cuidadores de animais. Quase não foi reeleita. Após sua eleição e sucesso, os outros cuidadores também querem ser vereador e dividem os votos. Por outro lado, o trabalho de Cláudia em relação ao hospital, só começou. Agora, terá que fazer o estado cumprir a promessa. Feita na boca de uma eleição por um candidato. 

 Moura se reinventa

Meia dúzia de frases do vereador Bruno Moura, PSDB, na última sessão, significa o reinício de seu mandato. Exemplo de quem se livrou do lado escuro da vida com a ajuda do esporte, Bruno parabenizou a skatista Rayssa Leal, medalhista de prata na Olimpíada, e revelou que se não fosse o esporte e os projetos sociais quando criança, teria seguido outro rumo na vida. Bruno está mais para o fazer ,do que para o debater. Em uma de suas frases sustentou que está aprendendo e que foi chamado a atenção pelos próprios assessores de seu gabinete. Bruno tem um projeto social esportivo para crianças vulneráveis.

 Vai arder

Jorge Menezes, na próxima terça-feira, o “ardido” está de volta.